… Bruno da Cunha

Culturismo-pt: Boa tarde, Bruno!
Obrigado por teres aceitado o nosso convite.

Bruno da Cunha: Obrigado, eu, pelo convite. É uma honra para mim puder partilhar a minha experiência com tantos outros que amam este desporto.

Culturismo-pt: O que apareceu primeiro: o teu gosto pelo Culturismo ou o teu gosto pela musculação?

Bruno da Cunha: O gosto pela musculação. Como comecei a praticar desporto muito novo, e o desporto que fazia, tinha uma parte muito importante no ginásio, foi a partir daí que o “bichinho” pela musculação foi crescendo.

Culturismo-pt: Qual era o desporto que praticavas?

Bruno da Cunha: Canoagem de competição. Pratiquei durante 15 anos.

Culturismo-pt: Algo bastante diferente! Como chegaste, então, ao Culturismo?

Bruno da Cunha: Como tinha dito, o gosto pela musculação foi aumentando ao longo dos anos, e como via o meu corpo em desenvolvimento e gostava do resultado, comecei a dedicar-me mais à musculação por gosto pessoal; não para competir. Já seguia alguns atletas, mas nunca tinha imaginado de que um dia poderia vir a ser um deles também.

Culturismo-pt: Esses atletas tornaram-se as tuas referências?

Bruno da Cunha: Sim, ainda hoje. Acredito que todos digam quase o mesmo… Sem dúvida, o Arnold Schwarzenegger é uma fonte de inspiração até pela sua história de vida.

Culturismo-pt: E, porque é que decidiste ir competir?

Bruno da Cunha: No ginásio que andava, na altura que cá em Portugal começou a aparecer os Men’s Physique (para ser sincero, nem sabia bem o que era; era uma novidade ainda), disseram-me que poderia “encaixar-me” bem num perfil assim. Até esse dia, eu não fazia ideia o que era uma dieta. Lá fiquei a “namorar” a ideia e, mais tarde decidi, então: porque não, amor pela musculação? Posso tirar, com isto, mais conhecimento para mim, evoluir mais e é uma coisa que faço com o maior gosto. Assim, juntei o útil ao agradável.

Culturismo-pt: Qual é a principal diferença entre a Canoagem e o Culturismo, em termos de preparação?

Bruno da Cunha: Alimentação, sem dúvida.

Culturismo-pt: Muitos atletas dizem que essa é a parte mais difícil deste desporto que é o Culturismo – a dieta. Também é aquela que mais te custa?

Bruno da Cunha: Sim. Para mim, também é a parte mais difícil. Treino é a parte mais fácil. Gosto muito de comer e não puder comer tudo o que gosto, torna as coisas menos fáceis. Mas, quando se quer muito uma coisa, consegue-se, por isso, foco-me no que tem de ser.

Culturismo-pt: As famílias nem sempre ajudam nesse aspecto. Também te acontece o mesmo?

Bruno da Cunha: Nesse aspecto, posso dizer que sou um privilegiado. A minha família apoia-me incondicionalmente.

Culturismo-pt: Achas que o facto de teres estado sempre ligado à competição, fê-los adaptarem-se facilmente ao Culturismo?

Bruno da Cunha: Sempre tive o apoio da minha família em todas as decisões que tomei na minha vida, mas o facto de me verem sempre num registo de competição desportiva toda a minha vida, poderá ter sido um factor para aceitarem mais rapidamente.

Culturismo-pt: Estás bastante familiarizado com a competição. És uma pessoa competitiva?

Bruno da Cunha: Sim, sou. Gosto de ganhar. Não podemos estar com hipocrisias. Luto por algo que acredito, que amo. Quero ser melhor todos os dias, mas a maior competição é comigo mesmo; não quero falhar em nada.

Culturismo-pt: Já tens mais medalhas de Culturismo do que de Canoagem?

Bruno da Cunha: Tenho mais medalhas de canoagem, ainda, mas mais “títulos” no culturismo.

Culturismo-pt: Quais os títulos que já alcançaste, no Culturismo?

Bruno da Cunha: Campeão absoluto da AFD, campeão absoluto da Taça Carlos Rebolo, vice-campeão da Europa, vice-campeão Mr. Olympia Amador, medalha de bronze no Campeonato do Mediterrâneo, 4º lugar no Arnold Classic.

Culturismo-pt: Sabes quantas provas já fizeste?

Bruno da Cunha: 8 provas

Culturismo-pt: Por quais títulos vais lutar em 2017?

Bruno da Cunha: Quero a medalha de ouro e o cartão PRO-Card. É por isso que vou lutar.

Culturismo-pt: Muitos atletas têm o sonho de conseguir esse PRO-Card. Este também é um dos teus desejos, portanto?

Bruno da Cunha: Sim, quero muito chegar à liga PRO. Se existe alguma coisa que me faz sentir realizado é este desporto. Quantas pessoas se querem encontrar a si próprias? Eu posso dizer que, com este desporto, me encontrei; mudou a minha vida.

Culturismo-pt: Foi a maior alegria que este desporto te deu foi isso: teres-te encontrado?

Bruno da Cunha: Sim. Diria até melhor: afirmo isso.

Culturismo-pt: Men’s Physique será sempre o teu registo?

Bruno da Cunha: Sim. Olhando para o meu corpo, diria que não somos nós que escolhemos a categoria mas sim, é a categoria que nos escolhe.

Culturismo-pt: De todos os resultados que tiveste, qual foi o que mais te surpreendeu?

Bruno da Cunha: O Campeonato Europeu 2016, pois era a minha estreia numa prova internacional. É aquela que é considerada uma das mais difíceis e, numa categoria com cerca de 40 atletas, não sabia mesmo o de esperar. Posso afirmar que estava cheio de medo.

Culturismo-pt: Quando soubeste que estavas no TOP 6, respiraste de alívio ou acabaste por ficar mais nervoso?

Bruno da Cunha: Foi uma mistura de emoções que não consigo descrever: alívio, medo, alegria, nervos.

Culturismo-pt: Com o aumento da experiência, esses sentimentos passam ou ainda se tornam mais intensos?

Bruno da Cunha: Ficam mais intensos, porque aumenta a responsabilidade e a exigência connosco mesmos.

Culturismo-pt: Entraste na Selecção Elite 2017. Como é estar entre os melhores a nível nacional?

Bruno da Cunha: É o que qualquer atleta deseja: puder representar o nosso país é um orgulho para mim.

Culturismo-pt: Também é uma grande responsabilidade. Qual vai ser a tua primeira prova deste ano?

Bruno da Cunha: Sim, sem dúvida, uma grande responsabilidade. A minha primeira prova este ano será o Europeu.

Culturismo-pt: Estás pronto para trazer a medalha de ouro?

Bruno da Cunha: Quero muito. Quero mesmo muito! Estou a dar o melhor de mim para conseguir superar o que fiz no ano passado. Mas, tal como eu, estão todos a dar o melhor de si para conseguirem o mesmo. Seja o que Deus quiser.

Culturismo-pt: Certamente vais conseguir porque, diz-me: como é o interior do Bruno da Cunha?

Bruno da Cunha: O Bruno da Cunha é uma pessoa normal, com defeitos e virtudes, com sonhos pelo qual luta.

Culturismo-pt: E eu tenho a certeza que vais conseguir chegar onde anseias porque, sem dúvida, tens conseguido coisas extraordinárias.

Bruno da Cunha: Muito obrigado. Vou trabalhar para isso. Pode demorar o tempo que for necessário, mas desistir nunca.

Culturismo-pt: Muito obrigado por este tempinho que me disponibilizaste, Bruno. Foi um gosto conhecer-te um pouco melhor! Obrigado, mesmo.

Bruno da Cunha: Muito obrigado, mais uma vez por este convite. Continuem assim, a fazer o enorme trabalho e a crescerem como têm vindo a fazer. Parabéns!

 

Para seguir mais de perto o trabalho do Bruno da Cunha, ficam:
Facebook: https://www.facebook.com/brunodacunhamensphysique/?ref=br_rs
Instagram: @brunodacunha_biotechusa

 

 Texto: Dud@
Fotografia: NunoBaptista.com

… Fábio Rodrigues

Culturismo-pt: Boa tarde, Fábio!
Obrigado por teres aceitado o nosso convite.

Fábio Rodrigues: Boa tarde, eu é que agradeço o convite e o reconhecimento como Atleta PFBB.

Culturismo-pt: Como é que começou a tua “aventura” neste mundo do Culturismo?

Fábio Rodrigues: Nunca tinha visto nem percebia nada de Culturismo… Até ao dia em que os meus camaradas disseram que eu tinha um bom corpo/genética para participar. Fui à loja 2Korpus pedir uma opinião e foi quando tudo começou, com a ajuda e indicação do Carlos Reis e António Guerreiro.

Culturismo-pt: Quanto tempo treinaste antes de competir?

Fábio Rodrigues: Treino desde os meus 17 anos. Comecei com fisioterapia após um acidente, onde prendi o braço no elevador de carga do supermercado onde trabalhava (ainda no Brasil).

Culturismo-pt: Lá estão mais cientes do que é o Culturismo?

Fábio Rodrigues: Não te sei responder. Comecei há exactamente 1 ano atrás e estou em Portugal há 9 anos. Mas tenho ideia de que o povo lá cuida mais do corpo… É hábito de muitos. Mas em questão ao Culturismo não sei. Mas já noto que cá o pessoal já começa a cuidar mais do corpo/saúde do que antes.

Culturismo-pt: Achas que o Culto do Corpo já é uma questão não só estética mas também de saúde?

Fábio Rodrigues: Não acho… Tenho a total certeza! Se não fosse saudável, não havia tantas indicações pela parte dos profissionais da saúde.

Culturismo-pt: Qual é o factor que mais te atraí neste desporto que é o Culturismo?

Fábio Rodrigues: Sem dúvida é o espírito de sacrifício. Manter os treinos/dietas sem margem de erro. É um desafio a cada dia.

Culturismo-pt: E porquê Muscular Physique?

Fábio Rodrigues: O meu primeiro campeonato foi o Regional Sul de 2016, onde fui a Men’s Physique, e desci do palco com vários elogios e votos de que iria ficar no mínimo no top 6. No fim, fiquei em 11º. Fui penalizado por excesso de massa muscular/densidade para a categoria. Logo a seguir, no Nacional, foi criada a categoria Muscular Physique onde fiquei em segundo lugar. Na semana seguinte, fiquei em 2º lugar no Olímpia de Marbella. É a categoria em que se enquadra a minha estrutura/musculatura. Nem Men’s Physique, nem culturismo clássico. Estou no meio.

Culturismo-pt: Ficaste desiludido com o resultado do Regional?

Fábio Rodrigues: Sou sincero: criei alguma expectativa. Mas se o meu corpo não se enquadrava na categoria, acho bem o resultado.

Culturismo-pt: Qual é a maior dificuldade, para ti, desta categoria Muscular Physique?

Fábio Rodrigues: A dificuldade deve ser igual para todas as categorias: é a dieta rigorosa.

Culturismo-pt: Já alguma vez caíste em tentação na dieta?

Fábio Rodrigues: Quando apetece algo que sei que não posso, peço sempre autorização ao meu preparador. E quando peço é um almoço com churrasco e sou autorizado. Acabo por ter alguma sorte com o meu metabolismo. De resto cumpro à risca.

Culturismo-pt: Qual é pior coisa que te podem privar na dieta?

Fábio Rodrigues: Doces e fritos. Sou pior que as crianças.

Culturismo-pt: (Risos) Isso parece-me uma frase de mulher… A tua companheira não costuma dizer-te isso quando passas nas lojas de doces, em plena dieta?

Fábio Rodrigues: Estou num relacionamento recente. E ela faz dieta e é alérgica a chocolate. Espectacular!

Culturismo-pt: (Risos) Portanto, se te portares mal, ela vai ser a primeira a ir contar ao teu preparador…

Fábio Rodrigues: Mais ou menos isso. Ela é uma grande ajuda na dieta. Não há cá jantares, McDonald’s, não bebe álcool nem bebidas com gás.

Culturismo-pt: No futuro, pretendes passar para outra modalidade ou irás continuar nesta?

Fábio Rodrigues: Continuarei nesta. Como referi, é a categoria onde o meu corpo se enquadra.

Culturismo-pt: As pessoas confundem muito Men’s Physique com Muscular Physique. O que é que as difere?

Fábio Rodrigues: Muitas pessoas perguntam: mas qual é a diferença? E eu explico dizendo que Muscular Physique é quase o mesmo que Men’s Physique, mas requer mais alguma massa muscular, densidade e maturidade muscular. Os outros critérios são idênticos (simetria, poses, sorriso e à vontade em palco).

Culturismo-pt: Desses critérios, qual ou quais acabam por requerer trabalho constante, fora do meio de treino?

Fábio Rodrigues: Poses, sorriso e à vontade em palco. Todos requerem trabalho/treino. Poses é um factor essencial. O sorriso faz toda a diferença. E à vontade em palco só se ganha com o tempo. E alguns conselhos/críticas construtivas. Desde a minha primeira participação, noto imensas diferenças, seja nas poses, no sorriso e no à vontade em palco.

Culturismo-pt: Como sabes se as críticas que te dão são construtivas?

Fábio Rodrigues: A mim, todas as críticas são construtivas. Fazem com que eu reflicta e mude o que é necessário. Sou do tipo de pessoa que gosto de receber elogios e também gosto de receber críticas para mudar o que não está bem.

Culturismo-pt: O facto de teres sido um dos primeiros a ter resultados internacionais, nesta modalidade, faz com que haja pessoas a pedir-te conselhos?

Fábio Rodrigues: Faz. Por vezes recebo mensagens no Facebook de novos atletas, a perguntar se posso dar uma ajuda no que diz respeito às poses, seja Men’s Physique seja Muscular Physique. E faço com todo o gosto e fico orgulhoso disso! E lembro-me que quando comecei também tive ajuda do Marco Costa.

Culturismo-pt: Ao contrário do que se pensa, há companheirismo entre atletas, no Culturismo?

Fábio Rodrigues: Há e muito! Mesmo não pertencendo à mesma equipa, combinamos treinos. Seja de poses, seja de “ferro”. Só mesmo em cima do palco é que somos “rivais”. Antes de subir, e ao descer as escadas, somos amigos e companheiros.

Culturismo-pt: Havia outros portugueses na tua categoria, quando foste ao Mr. Olympia, Marbella, no passado ano de 2016. É diferente disputar uma prova internacional, sabendo que há colegas teus a competir na mesma categoria?

Fábio Rodrigues: Havia mais dois portugueses: Virgílio Costa e o Carlos Antunes. Estávamos sempre a apoiar-nos uns aos outros. Fui com o Carlos ao top 6 e, no backstage, ao aquecer, era eu a puxar por ele e ele por mim. Acaba por ser diferente porque ali estávamos a “lutar” por Portugal.

Culturismo-pt: Essa também foi a tua primeira prova internacional. O que mais te impressionou?

Fábio Rodrigues: Foi a minha primeira, sim. O que mais me impressionou foi a quantidade de atletas. Não fazia ideia que eram tantos. E o meu resultado também. Queria ir para Men’s Physique, em Marbella. O meu preparador até se chateou comigo.

Culturismo-pt: Porque é que querias ir a Men’s Physique?

Fábio Rodrigues: Porque dizia que os meus concorrentes no Muscular Physique eram enormes e eu ia ficar em último.

Culturismo-pt: E depois, quando te viste no Top 6, chegaste a pensar que era um sonho?

Fábio Rodrigues: Nem queria acreditar! E quando desci do palco com a prata, fui directo ao meu preparador e pedi-lhe desculpa. O José Monteiro só me perguntava se eu queria mesmo ir a Men’s Physique.

Culturismo-pt: Pode-se dizer que essa foi a competição mais emocionante para ti, devido a tudo isso?

Fábio Rodrigues: Sem dúvida. A primeira internacional, o meu medo de ficar em último e querer mudar de categoria, chegar ao ponto do António se chatear comigo e, no fim, saio com a prata… Desci do palco a chorar.

Culturismo-pt: O nível internacional é bastante diferente do nacional. O que te cria mais pressão num palco internacional?

Fábio Rodrigues: A pressão já é igual, seja nacional ou internacional. Quero sempre ficar bem classificado. Em relação ao nível, na categoria do Culturismo é que se nota mais diferenças. A nível Men’s Physique e Muscular Physique penso que não. É uma linha a seguir.

Culturismo-pt: Todos têm objectivos marcados, neste mundo da competição. Qual é o teu plano?

Fábio Rodrigues: Gostava de atingir um primeiro lugar internacional. E se a categoria passar a dar direito ao PRO-CARD, é um sonho/objectivo a alcançar.

Culturismo-pt: Antes disso, diz-me: como é o interior do Fábio Rodrigues?

Fábio Rodrigues: Ossos, carne, músculos e água (às vezes, pouca água) (Risos). O Fábio por dentro é exactamente como as pessoas vêem por fora: é divertido, calmo, atencioso, por vezes, bruto, depende da situação. No geral, o Fábio é o Fábio.

Culturismo-pt: (Risos) Obrigado por este tempinho que me disponibilizaste para te conhecer um pouco mais. Desejo-te toda a sorte do mundo e arredores. A sério, muito obrigado!

Fábio Rodrigues: Eu é que agradeço por tudo. Foi um prazer. Muitíssimo obrigado!

Para seguir mais de perto o trabalho do Fábio Rodrigues, ficam:
Facebook: https://www.facebook.com/muscularphysique/?pnref=lhc
Instagram: @fabiorodrigues_ifbb

 

 

 Texto: Dud@
Fotografia: NunoBaptista.com

… Sílvia Lourenço

Culturismo-pt: Olá, Sílvia!
Obrigado por teres aceitado o nosso convite.

Sílvia Lourenço: Olá! Eu é que agradeço pela oportunidade.

Culturismo-pt: Primeiramente, conta-me: quando começaste a treinar?

Sílvia Lourenço: Desde muito cedo descobri o gosto pelo desporto e, à medida que o tempo ia passando e dava mais importância ao que via no espelho, mais crescia o gosto pelo exercício. No entanto, iniciei-me na musculação em 2003.

Culturismo-pt: Foi aí que nasceu o teu amor por este desporto que é o “Culturismo”?

Sílvia Lourenço: Sim, sem dúvida.

Culturismo-pt: O que mais te fascina neste desporto?

Sílvia Lourenço: Sem sombra de dúvida a disciplina, a superação, o autocontrolo e, seguidamente, a conquista do corpo idealizado por mim.

Culturismo-pt: Como é o corpo idealizado por ti?

Sílvia Lourenço: Um corpo atlético, harmonioso, com alguma definição e em forma.

Culturismo-pt: Porque é que idealizas um corpo assim? É um desejo que possuís já há algum tempo ou começou após entrares neste meio?

Sílvia Lourenço: Tenho de confessar que tem a ver com o tipo de corpo que, desde adolescente, sempre quis ter e com as características que não quero ter. Esteticamente, nunca gostei de ver ancas largas e corpos flácidos, por isso, sempre batalhei para que nunca tivesse um corpo com essas características. Por incrível que pareça, lembro-me que em adolescente me sentia fascinada pelos braços da cantora Madonna. Hoje em dia, não os acho nada de especial e as minhas referências estão num nível muito superior.

Culturismo-pt: Então, podemos concluir que o Culturismo já te fascinava nessa época mas que, devido ao estereótipo que a população no geral tinha do desporto em si, não sabias?

Sílvia Lourenço: Sim. Desde muito nova, senti-me de certa forma focada naquilo que eu queria para a minha imagem. Sempre digo que para estar bem psicologicamente, tenho de estar bem fisicamente, sendo que todos os dias é uma luta constante em busca da perfeição, pois só assim conseguimos evoluir.

Culturismo-pt: Como reagiam as pessoas ao teu redor a isso? Ao facto de gostar desse tipo de corpo?

Sílvia Lourenço: Existiam opiniões muito diferentes: umas diziam que também gostavam e outras diziam que não gostavam. Algumas até me diziam “Ah, tu não queiras ser assim”. É evidente que devemos ouvir a opinião dos outros mas temos de lhes dar a importância que cada um de nós acha que deve ter, pois devemos lutar pelo que nos faz sentir bem e pelo que desejamos para nós, independentemente da opinião dos outros.

Culturismo-pt: Quem é que te apoiou desde o início?

Sílvia Lourenço: O maior apoio que tive desde início e a quem eu devo um grande obrigada, e um pedido de desculpa também pela quantidade de vezes que aturou as minhas alterações de humor, foi o meu namorado.

Culturismo-pt: (Risos) Sofres muito de mal humor perto das provas?

Sílvia Lourenço: Tento controlar-me mas, às vezes, o cansaço, a falta de tempo, a redução de hidratos falam mais alto e acabo por perder mais facilmente a paciência.

Culturismo-pt: O que é que mais te irrita nessa fase?

Sílvia Lourenço: Às vezes, são coisas que estando num estado “normal” não me fariam a mínima diferença.

Culturismo-pt: Como, por exemplo, as pessoas respirarem? (Risos)

Sílvia Lourenço: (Risos) Vento não digo mas, barulho é uma coisa que me descontrola.

Culturismo-pt: Consideras-te uma pessoa calma?

Sílvia Lourenço: Acho que já fui mais calma. Hoje em dia, acho que perco a paciência mais facilmente.

Culturismo-pt: Sinceramente, é fácil para uma mulher praticar Culturismo?

Sílvia Lourenço: É tão fácil para uma mulher como é para um homem. No entanto, perante a sociedade, o culturismo nos homens é melhor aceite. Tem tudo a ver com estereótipos e com a forma como é visto pela nossa sociedade.

Culturismo-pt: Achas que isso, um dia, mudará? É certo que cada vez mais mulheres recorrem ao ginásio, coisa que não acontecia há uns anos.

Sílvia Lourenço: Tenho a certeza que um dia conquistaremos o nosso devido reconhecimento, porque este é um desporto como tantos outros. As mentalidades estão a mudar e aos poucos vamos ganhando terreno.

Culturismo-pt: O facto de haver mais modalidades femininas, ajuda a essa mudança de mentalidades?

Sílvia Lourenço: Acredito que possa ser por aí. O nosso espaço vai-se conquistando, quanto maior for o nosso número. É importante que nos façamos ver.

Culturismo-pt: O que é mais difícil, no caso das mulheres, numa preparação?

Sílvia Lourenço: Eu acho que as dificuldades para uma mulher numa preparação são as mesmas que as dos homens. O ser difícil depende muito da força psicológica de cada atleta.

Culturismo-pt: A ti, o que te custa mais?

Sílvia Lourenço: A mim, sinceramente, o mais difícil não é a força psicológica mas sim a falta de apoio externo, pois neste momento e, infelizmente, não tenho qualquer patrocínio. É essa a minha maior dificuldade.

Culturismo-pt: Dá para perceber que és uma pessoa recatada. Achas que é isso que te prejudica nesse campo?

Sílvia Lourenço: Sinceramente, não acho que seja isso que me prejudica. Não acho que apareça mais ou menos, nas redes sociais, que algumas atletas que conseguiram patrocínios. Dizem que é pelo número de seguidores nas redes sociais… Todos nós sabemos que ter muitos seguidores nas redes sociais não significa que os tenhamos na realidade.

Culturismo-pt: Este ano, entraste para a Selecção Elite de Prata, da PFBB. Esse factor não te ajudou?

Sílvia Lourenço: Infelizmente, até agora esse factor não foi tomado em consideração, o que me deixa bastante triste.

Culturismo-pt: Em contrapartida, ajudou-te a tornares-te um exemplo para as novas atletas desta modalidade. Deixa-te feliz seres um símbolo do BodyFitness português?

Sílvia Lourenço: Sem dúvida que me deixa muito feliz e espero ser uma fonte de inspiração para muitas delas, quer sejam experientes ou iniciantes. E que o meu exemplo as faça acreditar que tudo é possível, basta acreditar.

Culturismo-pt: A tua primeira prova internacional foi o Mr. Olympia, Marbella, onde conseguiste o 6º lugar. Qual foi a sensação? Como foi ocupar um lugar no Top 6?

Sílvia Lourenço: Senti-me muito feliz. Foi como se tivesse ganho o primeiro lugar, pois tinha vindo de uma desilusão e essa classificação, em Marbella, veio dar-me ânimo para voltar a acreditar em mim. Só quem sobe a um palco e sente o seu esforço recompensado, sabe as emoções que sentimos lá em cima.

Culturismo-pt: As desilusões ajudam-nos a arranjar forças para melhorarmos. Foi o que te aconteceu?

Sílvia Lourenço: As desilusões ajudam-nos a arranjar forças para mostrarmos aquilo que realmente somos capazes de fazer. Ajudam-nos a melhorar, a não desistir e a ir mais além. Aquilo que nos pertence virá até nós mais cedo ou mais tarde.

Culturismo-pt: Como depois se comprovou, na Grécia, onde ficaste em 2º lugar. Como foi ficar na linha de trás, à espera do resultado, ciente de que eram apenas duas atletas?

Sílvia Lourenço: Foi um misto de emoções; uma mistura de pés no ar com pés assentes na terra. Naquele momento, tudo podia ser possível e acreditei até ao último momento, mas fiquei muito feliz com o 2º lugar! Valeu a pena todo o esforço e dedicação.

Culturismo-pt: Ultimamente, tens competido mais internacionalmente que nacionalmente. Qual foi a prova mais “assustadora” em que participaste?

Sílvia Lourenço: Nenhuma delas me assustou mas, a que mais desejei e a que me deixou mais apreensiva foi o Mundial. No entanto, considero que de todas foi a que menos bem me correu.

Culturismo-pt: Porquê? Estavas nervosa?

Sílvia Lourenço: Teve a ver com a condição física que apresentei em palco. Talvez pelas condições climatéricas completamente diferentes das que estava habituada, falta de descanso… Nervosismo não porque, ao contrário de muitos atletas, antes das provas sinto-me muito calma.

Culturismo-pt: Tens algum ritual antes de subir para palco?

Sílvia Lourenço: Não tenho nenhum ritual mas, quando subo ao palco faço questão de pisá-lo primeiramente com o pé direito.

Culturismo-pt: E até agora tem-te corrido bem, portanto, acho que deves continuar a fazê-lo! (Risos)

Sílvia Lourenço: Sim!

Culturismo-pt: Pode-se dizer que a tua carreira internacional começou este ano que passou, 2016. Onde anseias chegar?

Sílvia Lourenço: Anseio chegar até onde os sonhos terminam: no topo!
Mas mais importante do que chegar ao topo a nível competitivo, é chegar ao topo no reconhecimento dos outros; é sermos uma fonte de inspiração como atletas, profissionais e como pessoas. É muito importante que não deixemos de ser quem somos e que não percamos a humildade por querermos atingir nossos objectivos. Costumo dizer: “chegarei até onde Deus me levar”.

Culturismo-pt: Para 2017, já tens o teu calendário competitivo planeado?

Sílvia Lourenço: Está mais ou menos pensado. Gosto de ir por etapas e ver como vai correndo a preparação.

Culturismo-pt: No que pretendes ser diferente de 2016?

Sílvia Lourenço: Pretendo ser melhor: apresentar uma melhor condição física, mais maturidade muscular, melhor simetria e melhores resultados!

Culturismo-pt: Finalizando, como é o interior da Sílvia Lourenço?

Sílvia Lourenço: Isso é quase como aquela pergunta: “o que dizem os teus olhos?”! (Risos) Procuro ser uma pessoa com os pés assentes na terra, que não suporta injustiças, que defende os mais “fracos”, que dá muita importância à humildade e ao bom carácter. Acima de tudo, tenho sempre presente a lembrança do ponto onde comecei.

Culturismo-pt: Obrigado, Sílvia, pelo tempo que me dispensaste a responder a estas perguntas. Espero que consigas tudo o que sejas e um pouco mais.

Fico à espera de te ver nos próximos campeonatos!

Sílvia Lourenço: Eu é que agradeço. Foi um gosto enorme ter tido esta oportunidade. Obrigada de coração. Felicidades para a tua vida pessoal e profissional!

Para seguir mais de perto o trabalho da Sílvia Lourenço, ficam:
Facebook: https://www.facebook.com/silvia.lourenco
Instagram: @silvialourencoifbb

 

 Texto: Dud@
Fotografia: NunoBaptista.com

 

… Nelson Rodrigues

Culturismo-pt: Olá, Nelson!
Obrigado por teres aceitado participar nesta rubrica mensal.

Nelson Rodrigues: Obrigado eu pelo convite!

Culturismo-pt: Como tradição, a primeira pergunta é: quando é que começaste a treinar?

Nelson Rodrigues: Comecei com 17 anos. Ou seja, já lá vão 17 anos, pois tenho 34.

Culturismo-pt: Qual foi o primeiro desporto que praticaste?

Nelson Rodrigues: Joguei futebol quando era miúdo.

Culturismo-pt: Como é que passaste do futebol para o Culturismo?

Nelson Rodrigues: Comecei a ir ao ginásio com amigos mais velhos, que já treinavam a alguns anos, e gostei!

Culturismo-pt: Foi a partir daí que tiveste o primeiro contacto com o desporto que é o Culturismo?

Nelson Rodrigues: Sim, foi nessa altura!

Culturismo-pt: E o que te levou a competir?

Nelson Rodrigues: Só depois de muitos anos de treino é que pensei em competir… Mas, em conversa com colegas de trabalho que me disseram para competir, resolvi experimentar a categoria Men’s Physique, pois identificava-me mais com o tipo de corpo pedido!

Culturismo-pt: Que expectativas tinhas para a tua primeira experiência em competição?

Nelson Rodrigues: Como disse fui à descoberta. Preparei-me sozinho, em pouco tempo, e fui ao Regional Norte 2015, em que fiquei em segundo lugar. Então, a partir daí, ganhei ânimo e pensei logo em competir mais vezes!

Culturismo-pt: Conseguiste chegar a PRO na primeira competição internacional que fizeste – Arnold Classic Europe 2015. Como te sentiste com esse feito?

Nelson Rodrigues: Sim, é verdade; foi logo na minha primeira competição internacional. Foi um sonho pois não estava nada à espera; eram atletas de todo mundo… Sabia que estava bem preparado mas nunca pensei ser campeão absoluto e, muito menos, ser o primeiro português a conseguir ganhar o PRO-Card.

Culturismo-pt: Teres sido o primeiro a ter o PRO-Card deixa-te orgulhoso?

Nelson Rodrigues: Muito mesmo! E mais tendo-o ganho numa competição como o Arnold Classic Europe.

Culturismo-pt: Isso foi uma das razões pela qual pediste o PRO-Card? Por o teres ganho numa prova tão complicada?

Nelson Rodrigues: Pedi-o porque o ganhei. Então, claro que tinha de seguir em frente e passar a ser profissional. Gosto de novos desafios e competir na Liga Profissional, para mim, passou a ser a prioridade!

Culturismo-pt: Como é a vida de uma figura PRO?

Nelson Rodrigues: (Risos) Bem, a minha vida mudou um pouco sim… A passagem para profissional ajudou-me em alguns aspectos a nível de patrocínios e abriram-se novas portas… Mas, no meu caso, penso que, como fui o primeiro a conseguir, então passei a ser motivação e inspiração para muita gente que pensava que não era possível. Mostrei que sim, é possível, basta acreditarmos. E para mim, é muito gratificante puder motivar muitos atletas que estão a começar!

Culturismo-pt: Tens muitos novos apaixonados pela modalidade a falar contigo diariamente, pedindo conselhos sobre este desporto?

Nelson Rodrigues: Sim, tenho alguns, sim. Ainda existem muitas dúvidas à cerca desde desporto e da modalidade. Então, tento esclarecer ao máximo e aconselhar da melhor maneira!

Culturismo-pt: Quais são os conselhos mais repetitivos que dás? Ou seja, o que mais te perguntam os novos adeptos?

Nelson Rodrigues: O que noto é que os mais novos nisto têm muita pressa em competir; querem logo, ao fim de alguns meses de treino competir… Então, tento fazê-los ver que não se pode ultrapassar etapas e que competir não tem de ser porque está na moda; tem de ser muito mais que isso: é necessário ter uma boa base e maturidade muscular, e isso só se ganha depois de alguns anos de treino. Pisar um palco não é a mesma coisa que ter um bonito corpo para ir para a praia!

Culturismo-pt: Ficas com a sensação que eles pensam que é fácil chegar onde chegaste?

Nelson Rodrigues: Um pouco, sim. E tento fazê-los ver que não é assim tão fácil e que têm de criar hábitos, tanto alimentares como de treino, para conseguirem chegar aos objectivos, leve o tempo que levar! E dou-lhes o meu exemplo que, só ao fim de 15 anos de treino, é que competi!

Culturismo-pt: A tua preparação mudou muito desde que passaste a PRO?

Nelson Rodrigues: Sim, mudou. Para amador, basicamente, foi levar um corpo definido, sem muita densidade muscular; enquanto que para PRO, é necessário ter mais densidade e os parâmetros são outros. Então, os métodos de treino e alimentação têm de ser alterados!

Culturismo-pt: Qual foi a mudança mais drástica que aconteceu na tua vida, tirando a alimentação e o treino, depois de teres pedido o PRO-Card?

Nelson Rodrigues: Drástica talvez não seja a palavra mais adequada mas, mudou alguma coisa pois passou a responsabilidade a ser outra: tenho muita gente que me segue e acredita em mim como atleta. Então, a minha luta diária é também por essas pessoas e não desiludi-las!

Culturismo-pt: O teu aparecimento na capa da revista Muscle & Fitness, no ano passado, ajudou-te a autopromoveres-te?

Nelson Rodrigues: Sim, claro. Foi muito importante para mim como atleta pois na Liga PRO conta muito seres conhecido; é um “show” aquilo. Então, sair numa das revistas mais conceituadas do mundo Fitness foi óptimo. E veio numa altura em que estava um pouco desiludido com o resultado da minha última competição, então, veio dar-me ânimo e força para continuar!

Culturismo-pt: Ganhaste mais seguidores depois de teres aparecido como cara da revista?

Nelson Rodrigues: Sim, claro, bastantes mais porque fui capa da edição de Espanha. Então lá, foi muito vista; bem mais que em Portugal. Aumentei bastante os seguidores nas redes sociais, não só de Espanha, mas também de outros países!

Culturismo-pt: Como é ser-se reconhecido não só em Portugal, mas como em outros países?

Nelson Rodrigues: É muito bom pois é sinal que o teu trabalho é valorizado. Infelizmente, às vezes, no nosso país não nos dão o devido valor, mas pronto!

Culturismo-pt: Onde é que notas que és menos valorizado em Portugal: nos seguidores, nos patrocinadores, etc?

Nelson Rodrigues: A nível de seguidores e patrocínios nem tanto. Claro que um contracto de um atleta PRO nos Estados Unidos nada tem a ver com aqui mas, o que noto mais é que aqui, em Portugal, ainda não se valoriza muito este desporto em relação a outros países. Eu tenho ido competir em outros países, principalmente nos Estados Unidos, e o culturismo é quase como o futebol. Em Portugal, nem uma revista temos que fale de culturismo; que mostre o que é a vida de um culturista; como é nosso estilo de vida!

Culturismo-pt: Achas que falta divulgação sobre o Culturismo? Ou seja, que as pessoas ainda custam a acreditar que o Culturismo é um desporto?

Nelson Rodrigues: Sim, basicamente, é isso. Algumas pessoas ainda não vêem o culturismo como um desporto. Então, passa um pouco ao lado. Temos tido tão bons resultados a nível internacional e quase não se faz notícia disso.

Culturismo-pt: Ficas emotivo ao ver outros parceiros teus, deste desporto, conseguirem trazer medalhas para o país?

Nelson Rodrigues: Claro que sim! Motivado e contente. Acredito que está a melhorar e, mesmo para mim, é importante como PRO ter mais atletas portugueses a competir na Liga Profissional, pois assim começarão a olhar mais para nós e a termos mais força. Assim se passou com os Brasileiros.

Culturismo-pt: Gostavas de partilhar o palco com outro português?

Nelson Rodrigues: Claro que sim. E talvez este ano já seja possível… Já temos mais 2 Men’s Physique PRO.

Culturismo-pt: Qual foi o PRO estrangeiro com quem partilhaste o palco que mais te entusiasmou?

Nelson Rodrigues: Sem dúvida o Felipe Franco do Brasil. Já o sigo a algum tempo, identifico-me com ele em alguns aspectos e, para mim, é um exemplo a seguir pois conseguiu ganhar o lugar dele no meio dos tubarões dos Americanos. E eu sei que não é nada fácil… Já o senti bem na pele!

Culturismo-pt: A competição PRO é, sem dúvida, muito diferente da Amadora. Qual é a maior diferença que destacas?

Nelson Rodrigues: A grande diferença é a diferença de critérios de prova para prova. Nos Estados Unidos principalmente, cada “show” tem um shape definido, ou seja, há “shows” que querem um shape mais cheio e outros mais vazio e definido. Então, é complicado acertar e saber ao certo o que os juízes querem!

Culturismo-pt: Isso faz com que fiques muito nervoso de prova para prova?

Nelson Rodrigues: Nervoso, fico sempre um pouco. Mas com tempo já começo a perceber e saber escolher bem as provas; as que se adequam mais ao meu shape!

Culturismo-pt: Obviamente, tens de contar com pessoas para te apoiar nessas jornadas. Quais são as figuras mais marcantes na tua vida desportiva?

Nelson Rodrigues: Sem dúvida, o meu preparador Ali Butcher e a minha namorada, que me apoiaram sempre!

Culturismo-pt: Para finalizar, como é o interior do Nelson Rodrigues?

Nelson Rodrigues: (Risos) Perguntas difíceis a esta hora… Bem, o Nelson Rodrigues é uma pessoa muito simples: acessível, verdadeira e muito directa. Penso que, independentemente dos títulos que ganhemos, nunca devemos deixar de ser quem somos e, acima de tudo, manter-nos fiéis a nós mesmos, aos nossos valores e, principalmente, não perder a humildade… Porque é a humildade que faz um Campeão!

Culturismo-pt: (Risos) Tens toda a razão! Concordo plenamente contigo.
Muito obrigado por teres disponibilizado este tempinho para falares comigo. Acredito que a tua jornada ainda começou e resta-me desejar-te o melhor do mundo; que consigas tudo o que anseias. Muito obrigado!

Nelson Rodrigues: Obrigado eu. Foi com todo gosto!

Para seguir mais de perto o trabalho do Nelson Rodrigues, ficam:
Facebook: https://www.facebook.com/NelsonRodriguesPRO/
Instagram: @ifbbpro_nelsonrodrigues



Texto:
Dud@
Fotografia: NunoBaptista.com

… Fábio Lopes

Culturismo-pt: Olá, Fábio! 
Obrigado por teres aceitado o nosso convite.

Fábio Lopes: Olá. Eu é que agradeço o gesto de reconhecimento pelo convite.

Culturismo-pt: Comecemos com a pergunta da praxe: há quanto tempo começaste a treinar?

Fábio Lopes: Bom deixa fazer contas… Cerca de 10 anos.

Culturismo-pt: Porque é que começaste a treinar? Foi uma questão estética ou apenas de saúde?

Fábio Lopes: Sempre pratiquei desporto desde muito, muito cedo e a determinada altura o club onde eu jogava basquetebol federado, deixou de ter basquetebol. Então, senti necessidade de procurar outra modalidade. Como também não me sentia muito bem por ser muito magrinho, decidi inscrever-me num ginásio para continuar a praticar desporto e ao mesmo tempo tentar ganhar alguma massa muscular!

Culturismo-pt: E quando é que decidiste dar o salto para os palcos?

Fábio Lopes: Sinceramente, foi como amor à primeira vista! No ginásio onde comecei, havia competidores e rapidamente comecei a ganhar gosto por aquela entrega; aquela disciplina na dieta, nos treinos, as mudanças no físico nos momentos que antecedem as provas. Então passado uns tempos (uns bons anos), decidi que já reunia algumas condições físicas (exigidas no Culturismo) para puder demonstrar um pouco do meu trabalho. Assim foi; competi no campeonato nacional de 2009.

Culturismo-pt: Foi um processo difícil, decerto. O que te custou mais? Sentiste que foi mais complicado ganhar massa muscular por seres magro?

Fábio Lopes: Sim, claro. Foi um processo demorado. Aliás, continua a ser; procurar sempre aumentar massa muscular é um processo contínuo, de entrega e sacrifícios; diria uma devoção diária. O que mais custou sinceramente foi nos primeiros anos conseguir escapar nos empregos para comer de x em x horas, e também a família aceitar este desporto por desconhecimento e por medo. Hoje em dia, esse papel está mais facilitado: existe mais informação, mais modalidades, mais divulgação mesmo nos media.

Culturismo-pt: A tua família ainda é um pouco céptica com este desporto ou já passou?

Fábio Lopes: Passou completamente. Aliás, hoje têm um grande orgulho em mim. Quando há jantares de família ou festas, têm o cuidado de perguntar o que quero para comer para não sair do meu padrão e quando me vêm comer algo fora do “meu regime” até me fazem sentir mal porque rapidamente me chamam à atenção. Até perco a vontade de saltar a dieta ao pé deles. Sinceramente, são um grande suporte para mim agora.

Culturismo-pt: Ai tu comes fora do teu regime… Deixa que logo vou contar ao teu preparador…

Fábio Lopes: Somos todos filhos de deus. Temos de errar algumas vezes. Em off season, é aceitável alguns caprichos. Acho que até sou demasiado rigoroso comigo fora da dieta.

Culturismo-pt: Concordo totalmente! Quais são os teus caprichos preferidos?

Fábio Lopes: Vamos chamar caprichos a doces e salgados. Eu pessoalmente sou mais de salgados (pizza, hambúrgueres, queijos, muito pão com presunto, carnes bem saborosas, comidas bem confeccionadas) e claro uma sobremesa para terminar.

Culturismo-pt: É difícil resistir a isso, às vezes? Tens “recaídas” de vez em quando?

Fábio Lopes: Não, não! Quando estou em modo Pré-competição, não vacilo em nada, nem uma batata frita. Só o que está estipulado mesmo, nem mais um pouco de arroz. Sou muito exigente mesmo quando entro em “modo competição”.

Culturismo-pt: Ou seja, a tua parte favorita – a disciplina do desporto em si, é a componente que te faz amar esta modalidade?

Fábio Lopes: Sem dúvida um dos componentes mais fortes da modalidade. Repara: ainda que possas ter uma grande equipa, um grande suporte, não deixa de ser um desporto individual; és tu que tens de ter disciplina para te levantar à hora certa, fazer as tuas refeições, dar o máximo de ti em cada treino, etc! Ninguém o vai fazer por ti.

Culturismo-pt: Já eras uma pessoa estritamente rigorosa ou adaptaste-te após entrares neste mundo do Culturismo?

Fábio Lopes: Já era! Quando era pequeno, meus pais contam que era louco por ter todos carros de brincar ordenados e arrumados no seu sítio; alguns, nem tirava da caixa para não estragar. Era muito organizado e metódico com as minhas coisas! Até o meu irmão nascer e partir os carros todos, sempre fui muito organizado rigoroso com as minhas coisas.

Culturismo-pt: Sei que também és tímido. Estavas assustado na tua primeira competição?

Fábio Lopes: Tímido? És simpática! Sou extremamente tímido. Não gosto de estar exposto a muita gente ou ter de falar para muitas pessoas! Sim, isto parece controverso porque afinal estou em cima dum palco a submeter-me a uma avaliação diante de uma multidão, mas nesses instantes o meu “chip” desliga (encontrei meu propósito de vida onde sou feliz e nesse instante não me lembro de nada; apenas quero pousar e expressar minha paixão pela modalidade com as poses). Mas estou melhor agora.

Culturismo-pt: Nalgum campeonato chegaste a pensar que ias ter um ataque de pânico por ver tantas pessoas a olhar para ti?

Fábio Lopes: Essas coisas são segredo, não se perguntam… Sim, alguns! Recordo o mais intenso que foi o Arnold Classic 2015: levava quase dois anos sem competir, a preparar-me para uma subida de categoria e tinha em cima de mim uma pressão enorme (imposta por mim). Queria muito triunfar pois levei dois anos a preparar-me esse para esse campeonato. Nessa manhã, nem consegui comer metade do que tinha de comer; estava muito, muito nervoso! Felizmente correu maravilhosamente, com o meu 3º lugar, diante de quase 30 atletas. Esta questão da timidez/insegurança/ansiedade também se trabalha, tal como um músculo, e felizmente aprendi a trabalhar a minha mente ­- está cada vez mais forte! Graças também a ter as pessoas certas ao meu lado em cada vertente.

Culturismo-pt: Mais do que “músculo”, para ti, o Culturismo também é um desporto mental?

Fábio Lopes: Sem dúvida! Tocaste num ponto importantíssimo! Excelente pergunta, só alguém atento consegue entender isso. A minha maior transformação não foi física foi – foi mental. Graças também a ter um mentor/preparador que incute isso nos seus atletas, crescemos muito mentalmente com ele! Posso deixar uma frase que ele sempre me diz: “Fábio os troféus e vitórias são importantíssimos mas mais importantes que isso é a pessoa que te tornas, porque os troféus caem no esquecimento mas a nossa evolução como seres humanos é a que prevalece“. Pode parecer muito blá blá blá mas acredita que faz muita diferença teres um mentor que não se preocupa apenas se comes 200g de arroz ou 40g proteína! Se a tua mente estiver em conexão com teu físico, sacas o dobro do rendimento.

Culturismo-pt: Achas que a relação atleta/preparador deve ser mais do que profissional? Também deve ser pessoal?

Fábio Lopes: Não, não tem obrigatoriamente ser pessoal, mas deve estimular o atleta a crescer em todas vertentes e não incentivar o atleta a ser desordenado ou incutir/gerar stress no atleta. Deve ser um mentor (bom mentor). Estimular para uma boa interpretação das vitórias e derrotas e, com isso, dar serenidade ao atleta para este estar em paz consigo e continuar a trabalhar centrado em todas as áreas da sua vida (desportiva, familiar, profissional). Não é fácil de explicar: no fundo, usar o desporto competitivo para formar melhores pessoas e não revoltadas ou com egos enaltecidos por derrotas ou vitórias.

Culturismo-pt: Alguma vez sentiste que podias ter feito melhor? Que se tivesses feito de outro modo, terias obtido melhor resultado?

Fábio Lopes: Tento sempre estar em coerência com o que sinto e o que faço; se faço de um determinado modo, não me arrependo ou não perco tempo a pensar como seria se fizesse de outra maneira. Se o resultado não é o melhor, foi porque alguém estava melhor que eu nesse dia. Assim sendo, volto para casa com mais vontade de trabalhar e voltar melhor.

Culturismo-pt: Já ficaste frustrado com alguma classificação que tenhas obtido? Pensaste que irias conseguir mais e depois não conseguiste.

Fábio Lopes: O Mundial de 2015 foi duro! Estava melhor que os atletas 2 e 3 classificados mas, como levava um ponto desfavorável no meu peito, fiquei penalizado (com toda razão e merecido) e desci para 4º lugar! Esse 4º lugar no primeiro mundial foi extremamente bom mas sabendo que senão fosse isso ficaria provavelmente no segundo lugar, foi duro os primeiros minutos; depois passou.

Culturismo-pt: Soube que o Campeonato do Mediterrâneo não estava na tua lista de competições. O que te fez mudar de ideias e arriscares?

Fábio Lopes: Sem dúvida, que bem informada estás! Bom trabalho de casa. Este último ano estava super focado apenas no Mr. Olympia de San Marino, Itália. Queria ganhar a minha categoria e assim seria a minha segunda vitória num Olympia e iria pedir o pro-card, por mérito. Acontece que em conversa com o Marco Sousa, uma pessoa experiente na modalidade, ele perguntou-me porque não arriscaria o mediterrâneo; iria “jogar em casa, ter a família, amigos e o estado de animo certamente seria muito maior”, para não falar de questões logísticas (confecção de comida em casa, viagens curtas, etc). O facto de ter pro-card não se discutia aqui porque sendo apenas para o campeão absoluto seria muito difícil para mim, que sou de uma categoria baixa de peso! Porém decidi arriscar e parece que estava escrito que esse seria o meu dia! Estava muito melhor que duas semanas antes, no mundial. O corpo reagia super bem a cada comida que fazia e cada vez que olhava ao espelho ganhava ainda mais confiança. Estava destinado a ser o MEU dia, acredito.

Culturismo-pt: Quando chamaram o teu nome como vencedor do Overall de Culturismo, o que sentiste? Qual foi a sensação de saber que havias ganho o prémio máximo da competição?

Fábio Lopes: (Suspiro) Muito difícil expor por palavras esse enorme sentimento. Estava a disputar o overall com grandes atletas: o nacional Rui Baptista (que muito admiro); o MEU colega de equipa Abel Martim, super atleta com um currículo enorme e um dos melhores culturistas do mundo; e o Manuel Cañadillas. Ainda que muita gente desse o feedback que estava muito renhido entre mim e o Manuel, jamais imaginava levar a melhor nesse dia. Um sonho feito realidade. Muita emoção/gratidão.

Culturismo-pt: Com essa vitória, tiveste acesso ao PRO-Card e pediste-o. Como é que vai ser a tua vida daqui para a frente? Vão mudar coisas na tua vida?

Fábio Lopes: Sinceramente, nos últimos anos da minha vida, vivo em prol do Culturismo; para o MEU sonho, sempre em equilibro com o papel de pai, de ter uma família a quem não posso deixar que falte nada e honrar meus compromissos. A partir desse equilibro, trabalho diariamente para a realização do sonho de estar nos EUA junto dos melhores; dos que via nas revistas quando comecei a treinar. Antes parecia muito distante, impossível. Agora, Deus/o universo deu-me a oportunidade de estar ali. Vou recusar? Jamais! Vou trabalhar ainda mais duro para honrar todo este trabalho e investimento de anos.

Culturismo-pt: As pessoas mudaram a maneira como lidavam contigo depois de teres aceitado o PRO-Card?

Fábio Lopes: Não perco tempo analisar isso. Cada pessoa vive com os seus pensamentos, as suas realidades, as suas crenças. Eu vivo com os meus e esses quero que sejam pensamentos saudáveis, positivos e de boa energia! Não posso viver de acordo como os outros lidam comigo. Repara como para muitos o Ronaldo é o melhor e para outros o Messi não tem comparação com ninguém. Para muitos, a Ferrari é top, para outros é a Porsche. Então, acho que não devemos vestir os pensamentos dos outros. Agradeço a todos os que me apoiam e os que não acreditam ou não apoiam respeito totalmente também.

Culturismo-pt: Qual é a figura Pro com quem gostavas de partilhar o palco?

Fábio Lopes: O primeiro que me vem à cabeça é o atleta Mark Dugdale, porque nunca mais me esqueço de ter comprado uma revista quando treinava apenas há 3-4 meses e ele saía como capa dessa revista. Eu pensei: “fogo quero ser assim” e, passado estes anos todos, tenho oportunidade de estar no 212 ao seu lado! É impressionante! Depois, o meu amigo Ricardo Correia, que me incentivou muito e marcou o meu começo também com muita motivação. É claro que depois vêm os mais conhecidos e grandes inspirações: Flex Lewis, Hide, John Meadows, José, Manuel Manchado, etc.

Culturismo-pt: Se pudesses nomear alguém que te deu força para ganhares este prémio, quem seria?

Fábio Lopes: Ao Miguel Ángel Martinez e à minha mulher, que me aturou todos estes anos.

Culturismo-pt: Para terminarmos, como é o interior do Fábio Lopes?

Fábio Lopes: Como o teu e como o de tantos: cheio de virtudes e defeitos!

Culturismo-pt: Obrigado por este tempinho que me disponibilizaste, Fábio. Espero tudo de bom para ti e sei que vais conseguir chegar longe!

Fábio Lopes: Eu é que agradeço! Confesso aqui que sou um grande admirador teu pelo teu profissionalismo e entrega. Admiro todas as pessoas que levam o seu trabalho, os seus sonhos, de forma dedicada e profissional como tu. Agradeço imenso este tempo e a forma inteligente e cuidada que me fizeste as perguntas. Parabéns também a todos vocês “IFBB Portugal” pela dedicação.

 

Para seguir mais de perto o trabalho do Fábio Lopes, ficam:
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Instagram: @fabiolopes_1


Texto: Dud@
Fotografia: NunoBaptista.com

… Elsa Pena

Culturismo-pt: Olá, Elsa! 
Obrigado por teres aceitado o convite de responder a estas perguntas. 
Nervosa por seres a primeira entrevistada?

Elsa Pena: Nervosa não; orgulhosa pela oportunidade.

Culturismo-pt: Ora, o orgulho é todo meu!
Comecemos pela pergunta cliché: há quanto tempo começaste a treinar?

Elsa Pena: Treino desde os meus 20 anos de idade. Se fizermos as contas, já lá vão uns aninhos. Sempre gostei de me sentir bem e, para mim, o ginásio não é só uma questão de “espelho”. É o meu escape, a minha terapia, onde trabalho para me superar dia após dia. 

Culturismo-pt: E porque começaste a treinar? Como começou essa paixão?

Elsa Pena: O desporto sempre esteve presente na minha infância. Passei por muitas actividades, desde corrida, ballet, karaté, entre outras… Sempre fui muito competitiva, assim como, sempre gostei de me lançar a um desafio. Entrei no primeiro ginásio aos 20 anos, onde acabei por conhecer o meu marido, que foi um dos pioneiros na área de ginásios da zona de Lisboa, e até hoje partilhamos a mesma paixão, os mesmos sonhos, o mesmo estilo de vida.

Culturismo-pt: Então, sempre tiveste uma alimentação saudável ou apenas pensaste nisso após começares a treinar ginásio? 

Elsa Pena: Não, sempre tive algum cuidado com a alimentação. Desde pequena que me foi incutida uma alimentação saudável pelos meus pais. Mas, o facto é que o treino leva a praticar uma alimentação saudável. De outra maneira, não faz sentido. 

Culturismo-pt: Quando decidiste começar a competir? Foi um impulso que sentiste ou demoraste algum tempo até arriscares subir ao palco?

Elsa Pena: Foi um impulso. (Risos) Assim que tive conhecimento da categoria Bikini Fitness, no final de 2012 – na altura uma modalidade recente em Portugal, achei que era a categoria perfeita para mim. Senti que era capaz e lancei-me ao desafio! Comecei a preparação em Março de 2013, para subir a palco em Novembro do mesmo ano, na Taça de Portugal. 

Culturismo-pt: Como é que a competição influencia o teu dia-a-dia? Normalmente, quando a dieta aperta, os atletas tendem a ficar mais sensíveis. Isso também te acontece? 

Elsa Pena: Sinceramente, não, em nada! Sou mãe e tenho todas as responsabilidades inerentes de uma família. Como tal, cozinho todos os dias para eles coisas boas desde bolos, lasanhas, etc, etc… Não me afecta em nada. A escolha é minha; eu é que estou em dieta e confesso, como adoro cozinhar, vê-los a comer deixa-me muito feliz e serve como terapia, porque faço por amor. Fico mais sensível naquelas alturas do mês que nós, mulheres, conhecemos tão bem do que propriamente por estar em preparação.

Culturismo-pt: Já que és tu que cozinhas, “obrigas” o teu marido e os teus filhos a comerem saudável como tu? Ou seja, preparas os cozinhados para eles como preparas para ti – sem sal, sem açúcar, etc? 

Elsa Pena: (Risos) Quando estou em preparação tenho que fazer sempre a minha dieta à parte. Mas, faço tudo para eles de forma saudável! O sal é essencial qb; uso sal rosa ou sal marinho. Em relação ao açúcar, só uso açúcar mascavado ou açúcar amarelo… Tento usar produtos biológicos e o mais saudável possível. 

Culturismo-pt: Quando eles comem algo pouco saudável, a tua veia de atleta sente necessidade de avisá-los e repreendê-los? 

Elsa Pena: Não sou a favor do “fast-food” e confesso que me faz um pouco de confusão, embora comam muito, muito esporadicamente. Mas agora uma pizza… 

Culturismo-pt: Eu também sou a favor de pizza!

(Risos de ambas as partes) 

Culturismo-pt: Voltando de novo à competição: para seres aquela “bonequinha” em cima do palco, quanto tempo praticas?

Elsa Pena: Sem dúvida que quanto mais trabalhamos, mais sucessos temos. Vou partilhar contigo um pouco da minha experiência no Arnold Classic Europe. Como sabes, éramos 45 atletas em competição, na minha categoria. Quando cheguei à final, disse para o meu marido: “é agora ou nunca!” Fiz uma rotina completamente improvisada, ousada, arriscada, sem ter ensaiado uma única vez. E deu certo! Isto para dizer que há coisas que são inatas. Não implica que não trabalhe, antes pelo contrário, porque o objectivo é superar-me prova após prova e sem trabalho, sem dedicação, sem sacrifícios, não chegamos lá. Quanto ao tempo, dedico parte da minha vida. 

Culturismo-pt: Pode-se dizer que és naturalmente uma “bonequinha”?

Elsa Pena: (Risos) Pode-se dizer que sou naturalmente eu – Elsa Pena! 

Culturismo-pt: Como reagiram os teus familiares quando decidiste que ias competir? 

Elsa Pena: No início não percebiam a “necessidade” de competir e de me sujeitar a tantos sacrifícios. Como é óbvio, quando estamos em família as privações são muitas. Mas agora respeitam e ficam felizes com as minhas vitórias. 

Culturismo-pt: Quem é ou quem são os teus maiores apoios? 

Elsa Pena: O meu grande, grande apoio; o meu braço, perna, mão, tudo… É o meu marido! É quem luta ao meu lado, é quem vive os meus sonhos, sofre por mim… É tudo para mim. A minha família, o meu preparador Jose Maria Garcia, os meus patrocinadores, os meus amigos que fazem parte da minha família, os meus seguidores… Todos aqueles que me ajudam e lutam ao meu lado na conquista de um sonho e que tornam os meus dias cinzentos em dias coloridos. 

Culturismo-pt: Falando nos teus seguidores… Como te sentes com o facto de seres uma inspiração para as mulheres que estão dentro e fora da competição? 

Elsa Pena: Sinto que o objectivo está a ser cumprido, o que me deixa muito feliz. A mensagem que quero transmitir é que sou mulher, mãe, profissional, atleta, e é possível, sim – é possível sermos aquilo que quisermos, se abraçarmos a vida com paixão e sem medos. Assim como eu incentivo as pessoas, também me incentivam e motivam com as suas mensagens de apoio e carinho e toda a energia positiva. O que me leva a trabalhar para continuar a fazer mais e melhor. 

Culturismo-pt: Se só pudesses dar-lhes um conselho apenas, qual seria?

Elsa Pena: Que tudo é possível se acreditarmos! 

Culturismo-pt: Acreditas que nunca se deve desistir dos sonhos? 

Elsa Pena: Acredito que nunca devemos desistir daquilo que nos faz feliz. A vida é muito curta para não ser vivida. 

Culturismo-pt: Uma vez que a modalidade é bastante subjectiva e está-se sempre dependente dos gostos pessoais de quem ajuíza, alguma vez ficaste desiludida a ponto de pensar em desistir ou estás sempre com esse conselho em mente? 

Elsa Pena: Como é óbvio, nem sempre é possível ganhar porque a classificação não está nas nossas mãos. Só temos que dar o nosso melhor e apresentarmo-nos da melhor maneira possível. A classificação nem sempre é a que desejamos e já fiquei desiludida algumas vezes. Agora, ao ponto de desistir… Nunca! Antes pelo contrário; acabei por perceber com o tempo que nós nunca perdemos… Ou ganhamos ou aprendemos. 

Culturismo-pt: Inevitavelmente, nas provas internacionais, conheces outras pessoas que vão disputar o mesmo prémio que tu. A competição entre vocês ajuda a que também criem laços de amizade? 

Elsa Pena: Tenho a sorte, e o privilégio, de ter feito algumas amizades especiais ao longo deste percurso internacional. 

Culturismo-pt: Como é chegares a uma competição e partilhares o palco com pessoas que já conheces? 

Elsa Pena: Já competi com muitas atletas que para mim eram referência pelo seu percurso competitivo. Por isso, era um orgulho partilhar o mesmo palco com elas mas, sempre tentei não me deixar “intimidar” e estava ali para dar o meu melhor.

Culturismo-pt: Sentes que há diferença entre competir com pessoas conhecidas e competir com pessoas desconhecidas? 

Elsa Pena: A minha atitude em palco é sempre a mesma. Embora, quando estou a competir com atletas com “nome”; com outra “bagagem”, não é fácil… Tento que isso não interfira na minha prestação. 

Culturismo-pt: És uma das pessoas que melhor sabe qual é a sensação de ouvir o nome ser chamado para ocupar o 1º lugar no pódio. Consegues descrever essa sensação? 

Elsa Pena: (Risos) Não há palavras para descrever… Por vezes parece tão irreal. Como é possível?! Todas as provas em que saí com o título foram importantes para mim, mas há uma especial… Antes de iniciar este percurso, e para ter uma noção do que era a linha do Bikini Fitness, fui ao Arnold Classic Europe. Posso dizer-te: foi ali que sonhei; o início de tudo… Disse ao meu marido: “um dia eu vou estar ali!” O que é certo foi que não desisti até conseguir. Palavras para descrever… Obrigada, meu Deus. 

Culturismo-pt: Todo o teu historial invejável deu-te um poder que, nos dias que correm, são o sonho de muitos que se iniciam nas competições. Ouvi dizer que vais pedir o PRO-Card…

Elsa Pena: O pedido está feito. Está na hora de dar o tão ambicionado salto de viver o grande sonho enquanto a vida me permite; aproveitar enquanto posso. 

Culturismo-pt: Esse teu grande sonho fará de ti a primeira mulher a conseguir o PRO-Card para Portugal. “Eufórica” chega para descrever o que sentes? 

Elsa Pena: Eufórica, não… De coração cheio. Cheio de motivação e de muita felicidade. 

Culturismo-pt: Sinceramente, quando vais a palco, vais para ganhar ou apenas por diversão? 

Elsa Pena: Sou muito competitiva mas AMO o que faço. 

Culturismo-pt: Ou seja: competição saudável? 

Elsa Pena: (Risos) Sem dúvida! 

Culturismo-pt: Para finalizar, como é o interior da Elsa Pena? 

Elsa Pena: Sou sonhadora, lutadora e, o meu principal objectivo, é ser feliz e viver em paz. 

Culturismo-pt: Resta-me desejar-te a maior sorte do mundo para a nova fase da tua vida que aí vem e agradecer-te imenso por este tempinho que me disponibilizaste a responder a estas perguntas. Obrigado, Elsa!

Elsa Pena: Eu é que agradeço a TODA a família IFBB-Portugal; a tudo o que tem feito por mim. Tenho muito orgulho em fazer parte desta Família – desde sempre, e para sempre, IFBB-PORTUGAL. OBRIGADA!

Para seguir mais de perto o trabalho da Elsa Pena, ficam:
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Texto: Dud@
Fotografia: NunoBaptista.com